DOCUMENTA 13
100 dias de arte contemporânea em Kassel - Alemanha
Teve início no dia 9 de junho e encerra no dia 16 de setembro de 2012.
100 dias de arte contemporânea em Kassel - Alemanha
Teve início no dia 9 de junho e encerra no dia 16 de setembro de 2012.

Museu Fridericianum


"Here and there" - Anna Maria Maiolino

"Ontem, Areias Movediças" - Renata Lucas

"O Impossível" - Maria Martins

"O retorno de um lago" Thereza Alves

"Grande homem sentado" - Hans Mettel (Documenta, 1955)

Herkules

Parque Wilhelmshöhe(1)

Parque(2)
Kassel é um dos pontos de referência da arte na Europa, mesmo fora da época da Documenta. O castelo Wilhelmshöhe abriga um das maiores e mais significativos acervos de obras de Rembrandt, além do famoso Apolo de Kassel. E sobre a cidade, visível mesmo à distância, reina o símbolo de Kassel: Hércules. O primeiro teatro na Alemanha foi inaugurado em 1605, “Staatstheater Kassel”
Kassel é considerada a “Rota dos contos de fadas”
A Documenta é uma
mostra internacional, que acontece na cidade alemã a cada cinco anos, trazendo
as mais novas linhas de reflexão sobre a arte, e um
panorama da produção artística atual.
Carolyn Christov-Bakargiev, diretora artística desta edição
da Documenta, fala da mostra como uma “dança frenética”, “eferverscente” e
“ruidosa”. A cada cinco anos, Kassel se
transforma em um centro das cenas das artes.
A a curadora e historiadora da
arte Carolyn, nascida em 1957 em Nova Jersey, nos EUA, convidou 13
co-curadores, denominados por ela “agentes”, para ajudá-la.
Com seminários em Cabul, Afeganistão, em Alexandria, Egito,
e em Banff, Canadá, a Documenta deste ano também chega a outras partes do
mundo. Reúne artistas de 50 países.
Em 1955 teve sua primeira Documenta idealizada pelo artista plástico e designer, Arnold
Bode.
Segundo Manfred Schneckenburger, único alemão a ser duas
vezes curador-chefe da exposição, 1977 e 1987,a Documenta 1 foi uma
retrospectiva da arte antes da Segunda Guerra Mundial. Era um resumo daquilo
que os alemães não puderam ver durante muitos anos, por ser considerado arte
degenerada. O próprio Arnold Bode fora proibido de exercer sua profissão
durante o Terceiro Reich.
A partir de 1992, então a documenta 9, recebeu pela primeira
vez um espaço próprio para as exposições. O salão multifuncional oferece uma
área de 1.400 metros para exposições e quase 700 metros de área útil adicional.
Ele foi projetado pelos arquitetos Jourdan e Müller e seu espaço é usado para
simpósios e conferências durante o período que é realizada a documenta.
Quatro artistas plásticas representam o Brasil na Documenta,
são elas:
Renata Lucas
Espalhadas pelos interiores e subterrâneos de Kassel, as
obras da artista paulista não são fáceis de achar, parte de sua obra “Ontem,
areias movediças” (2012) permaneceu até mesmo fechada por engano durante o
primeiro dia de abertura da mostra para a imprensa e convidados, na semana
passada.
Renata utiliza o subsolo da Praça Friedrichplatz e de seus
arredores para introduzir um elemento arquitetônico estranho, em forma de
pirâmide, sob o piso de concreto que domina o centro de Kassel. O mesmo
elemento se encontra no subsolo de quatro edifícios que circundam a praça. A
dimensão da planta baixa resultante da interligação desses quatro elementos, só
pode ser reconstruída, todavia, diante do "olho interno".
Segundo a Documenta, "com suas intervenções cirúrgicas
temporárias no tecido urbano, Renata Lucas desloca para fora as fronteiras do
nosso entorno construído. Ela pesquisa como esse entorno determina as ações e
comportamentos do nosso cotidiano e questiona as definições tradicionais de
espaço, propriedade e ordem".
Anna Maria Maiolino
Também difícil de achar e localizado nos limites do parque
Karlsaue está uma das obras mais comentadas desta Documenta: a instalação Aqui
e ali (2012) da artista brasileira Anna Maria Maiolino, que venceu neste ano a
primeira edição do Prêmio Masp/Mercedes-Benz de Artes Visuais.
Nascida na Itália, Maiolino desenvolveu a maior parte de sua
obra no Brasil, desde sua chegada ao país, em 1960. Em Kassel, o trabalho de
Maiolino ocupou todos os espaços da antiga casa do jardineiro do parque. Formas
cerâmicas encobrem os móveis do pavimento térreo. No primeiro andar, galhos de
plantas impedem a passagem dos visitantes.
No subsolo, uma voz declamando uma poesia projetada em
monitores transforma a instalação numa obra de arte total. A espetacular obra
de Maiolino remonta à ausência do corpo e à presença de lembranças – como a
casa dos pais que se deixou para trás.
Maria Martins
Além de aficionada de cães – uma das obras da Documenta é
destinada somente a pessoas acompanhadas por cachorros – a curadora Carolyn
Christov-Bakargiev diz defender posições "feministas". Coincidência
ou não, o Brasil está representado por quatro mulheres na Documenta deste ano.
Uma delas é Maria Martins, artista modernista brasileira
falecida em 1973. Casada com um diplomata, Maria, como gostava de ser chamada,
viveu em Quito, Paris, Copenhague, Tóquio, Bruxelas, Nova York, Washington e
Rio de Janeiro. Ela foi escultora, gravurista, pintora e autora, tendo escrito
um livro sobre o filósofo Friedrich Nietzsche.
Em suas obras expostas na Neue Galerie de Kassel, Maria
Martins se afasta da escultura tradicional, desenvolvendo um figurativismo
fantástico inspirado na mitologia da Região Amazônica.
Maria Thereza Alves
A ecologia é também um ponto bastante forte na Documenta 13.
Um exemplo disso é o trabalho de Maria Thereza Alves, artista brasileira
convidada a expor no museu de história natural Ottoneum, uma das locações da
mostra deste ano. Em sua obra “O retorno de um lago”, Thereza Alves tematiza o
processo de secagem de um lago na região Chalco, próximo à cidade do México.
Antes da chegada dos espanhóis, no século 16, essa região
era ocupada por milhares de chinampas, ilhas artificiais instaladas pelos
nativos. De lá, eles colhiam anualmente 20 milhões de toneladas de milho,
responsáveis pela alimentação de 170 mil pessoas. No século 19, um empresário
espanhol comprou as terras e secou o lago, para dar espaço à sua empresa
agrícola.
Como diretora do Museu da Cidade do México, uma descendente
do empresário prepara agora uma exposição sobre a política hidráulica da
cidade, retratando seu antepassado como um "divisor de águas" em tal
política. Para protestar contra a dissimulação dos fatos, a artista brasileira
trouxe a Kassel uma instalação que trata essa história como modelo persistente
do colonialismo.
“ Documenta ainda é capaz de impor seu significado, na ciranda
mundial de bienais, feiras e outras grandes exposições. Enquanto seguir
entusiasmando as pessoas pela arte contemporânea, ela não apenas terá alcançado
seus objetivos, como também provado seu valor como mais importante exposição de
arte do mundo." (Manfred Schneckenburger)
Fontes de pesquisa: http://www.goethe.de; http://www.dw.de; http://jugular.blogs.sapo.pt/
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