Exposição do Mestre do Impressionismo, Eliseu Visconti – A modernidade antecipada
(Maternidade - 1906)
Por influência da Baronesa de Guararema, D. Francisa de Souza Monteiro de Barros, aluna de pintura de Vitor Meireles, Eliseu Visconti veio ao Brasil juntamente com sua irmã, Marianella. A Baronesa se tornou sua grande incentivadora e protetora. Aqui no Brasil já se encontravam seus irmãos Afonso e Anunciata. Eliseu se hospedou na Fazenda São Luiz, em Além Paraíba, propriedade do Barão de Guararema, Luiz de Souza Breves. Mudou-se depois para o Bairro do Andaraí, no Rio de Janeiro. Estudou música no Club Mozart, na rua da Constituição. Quando a Baronesa viu um de seus desenhos, a figura de uma camponesa romana, foi o suficiente para que ele abandonasse as aulas de música, que não eram do seu agrado e por fim se dedicasse aos estudos de desenho e pintura.
Eis um pouco de sua brilhante trajetória:
Em 1883, Eliseu foi matriculado no Liceu de Artes e Ofícios, munido de uma carta de apresentação do poeta, Otaviano Hudson, que era amigo de sua família. Obteve no Liceu inúmeras medalhas, despertando a atenção de colegas e professores, como Vitor Meireles, José Maria de Medeiros, Estevão Roberto da Silva e Pedro José Peres.
Em 1885, ingressa na Imperial Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro, estimulado por D.Pedro II, o que lhe rendeu vários prêmios, conseguindo um de maior importância, o da viagem ao exterior, adquirindo uma sólida formação artística no Brasil e na França.
Em 1893, Eliseu Visconti ingressa na Academia Julian, atelier de Bouguereau e Ferrier, sendo que o primeiro lhe serve de referência ao se candidatar para o ensino oficial da École. Na Academia Julian frequenta também o atelier de Benjamin Constant e Jean Paul Laurens. Ingressa através de concurso na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts, de Paris. Participa da “World’s Columbian Exposition” em Chicago, EUA, com 8 paisagens a óleo e recebe medalha por mérito especial.
Em 1894 abandona a École des Beaux-Arts e passa a cumprir as tarefas exigidas pela sua condição de pensionista na Académie Julian. Expõe no "Salon des Champs-Elysées" os quadros No verão e A Leitura. Na "1ª Exposição Geral de Belas Artes", no Rio de Janeiro, recebe a Medalha de 2ª Classe pela tela No Verão. Ingressa na École Guérin, onde será aluno de Eugène Grasset, uma das mais destacadas expressões do art nouveau.
Em 1895 expõe novamente no Salon des Champs-Elysées, desta vez com as obras As Comungantes e Retrato de Alberto Nepomuceno, sendo a primeira reproduzida no catálogo oficial do salão.
1896 - Expõe A Convalescente no "Salão de Munique" e Nu Deitado no Salon des Champs-Elysées. 1896 - Em novembro, na Europa, começa a circular o primeiro número da Revue du Bresil, cuja capa foi criada por Visconti. Em matéria no interior da revista é reproduzida a tela "A Rendição de Breda", cópia de Velásquez.
1897 - Participa do "Salon du Champ de Mars" com Sonho Místico e Fatigada. Armand Silvestre publica, no 24º volume de sua coleção "Le Nu au Salon", a reprodução de uma pintura de Visconti, à qual dedica duas poesias.
1898 - Termina o curso na École Guérin e expõe, no "Salon du Champ-de-Mars", a tela Recompensa de São Sebastião e um estudo de nu. Recebe o 1º Premio de Esquisse na Académie Julian, com a obra Na fonte. Conhece e torna-se companheiro da jovem francesa Louise Palombe.
Em 1899 Eliseu novamente expõe no Salon du Champ-de-Mars, as telas O Beijo e Gioventú, sendo esta reproduzida no catálogo oficial do salão. Em junho de 1899 encerrou-se o período de estudos de Visconti na França. Retornou ao Brasil depois da Exposição Universal de 1900, deixando em Paris a francesa Louise Palombe, companheira desde 1898 e com quem foi casado o resto de sua vida. Louise se tornou figura marcante e inspiradora da obra de Visconti. Para Carlos Drummond de Andrade, “Louise foi o mais amado a modelo mais amada do pintor. Em matéria de modelos preferia os mais familiares, pois muito amar, muito compreendia. Ele dizia: “A família primeiro, a arte, depois” preferia-os familiares porque eram aqueles...a quem, por muito amar, muito compreendia... Tantos e tantos quadros do mestre Visconti revelam-no de fato o pintor de família. Uma não é incompatível com a outra, ao contrário, as duas se completam.” O segredo do sucesso de Visconti era a harmonia que existia em sua dedicação a família e a arte.
Algumas considerações de notáveis pessoas no cenário da arte e da cultura brasileira:
"Toda trajetória artística de Visconti é marcada por essa ânsia de encontrar uma expressão plástica correspondente à sua sensibilidade.....a sua grande trajetória artística.....do academismo ao modernismo, passando pelo impressionismo é o traço de união da pintura brasileira: liga a pintura da Academia à pintura atual." (José Maria Reis Júnior(Crítico de arte, historiador, escritor, pintor, vitralista, professor, jornalista, estudou na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, em 1920) -- "História da pintura no Brasil" - 1944)
"Foi Visconti o primeiro impressionista que tivemos, abrindo para nossos pintores um campo amplo de pesquisas e identificação com todas as correntes artísticas contemporâneas." (José Simeão Leal -Administrador cultural, diplomata, crítico de arte (ABCA/AICA), jornalista, médico, colecionador, artista plástico)
"Quase todos os retratos assinados por Visconti têm essa “inteligência sensível” que, por uma absorção misteriosa, permite figurar ao mesmo tempo e no mesmo envoltório carnal, modelo e artista."
( Carlos Drummond de Andrade( Poeta, cronista, contista) –
Correio da Manhã – 20 de Fevereiro de
1954)
Obras:
(A caboclinha - 1891)
( Os patinhos -1897)
(Oréadas -1899)
(Pão de Açúcar - 1901)
(Jardim de Luxemburgo - 1905)
(Parque de Luxemburgo -1905)
(Teatro Municipal do Rio de Janeiro -1)
(Painel central do foyer do Teatro Municipal -2 )
(Parc Montsouris - 1914)
Pesquisas realizadas: Guia do Rio; Eliseu Visconti Website
%20Katia.jpg)











Oi Katia!
ResponderExcluirNossa uma obra mais linda que a outra!
Que Exposição hemmm!
Um ótimo domingo!
Feliz dia das Mães!
Abriano.