sábado, 29 de janeiro de 2011




Campeche(Florianópolis) - Saint Exupéry










Antoine Jean Baptiste Marie Roger de Saint-Exupéry(Antoine Saint-Exupéry) nasceu em 29 de junho de 1900 em Lyon, França. Pertencia a uma família aristocrática, filho de Jean-Marie Saint-Exupéry e Marie Boyer de Fonscolombe




Antigo campo de aviação no Campeche



Neste local pousavam os aviões do correio aéreo francês nas décadas 20 e 30 do séc. passado



Decolagem do correio aéreo francês em 1929


Av. Pequeno Príncipe, junto ao campo de aviação






Durante a década de 20 o correio aéreo francês Sociêté Latécoère( hoje Air France) instalou nas Dunas gramadas do Campeche, um campo de pouso que era utilizado para o reabastecimento dos vôos entre Paris e Buenos Aires, O comandante da rota, Antoine Saint-Exupèry, autor de “O Pequeneo Príncipe”, ficava em um alojamento e aproveitava para descansar. Fez amizades com os moradores da região que o chamavam de “Zé Perri”.



Getúlio Manoel Inácio, um aposentado de 48 anos(sub-oficial da Força Aérea Brasileira), escreveu o livro “Deca e Zé Perri”(2003), edição bilíngüe(português – francês) sobre a amizade de seu pai, o pescador Manoel Rafael Inácio(Deca) e o aviador e escritor Saint-Exupéry. Para escrever a obra teve também a colaboração das pesquisas realizadas pela UFSC, com relatos de pessoas que viviam na localidade e que tiveram contato com o grande aviador. “Deca” e “Zé Perri” pescavam juntos e freqüentavam os bailes no Lira Tênis Clube. Tiveram bons momentos juntos. Passeavam pelas lagoas, do Peri e da Cruz(para a pesca de vara), atual Lagoa Pequena, rodeada de mata virgem - habitada por jacarés e marrecos.



Em seu livro, Getúlio relata que na época, fauna e a flora eram abundantes no Campeche. Havia uma mata espessa, com macacos, cutias, tatus e muitas espécies de aves. Com muita freqüência os dois amigos praticavam a caça. Ninguém ficava surpreso ao ver Saint-Exupéry soltar os pássaros das arapucas ou desistir de abater uma cutia, pois todos sabiam do grande amor que o aviador nutria pelos animais.



“Deca” foi homenageado pela Base Aérea de Florianópolis em 1991, quando recebeu um troféu por serviços prestados no campo de aviação quando o mesmo era administrado pelos franceses. Morreu em 1993, aos 84 anos. Uma das travessas da Rua das Corticeiras no Campeche leva o seu nome, Travessa Manoel Rafael Inácio e em homenagem à Saint-Exupèry, colocaram em uma avenida, o nome do seu livro “ Av. Pequeno Príncipe”.



Isabelle d’Agay, sobrinha-neta de Saint-Exupéry ao ler o livro ficou orgulhosa e grata, assim como sua família, pela fidelidade do povo de Florianópolis à memória do escritor, e em especial a Getúlio Inácio por seu testemunho.
Foi realizado pelo cineasta brasileiro Zeca Pires e seus alunos da Unisul(2000) um filme sobre a presença do escritor francês na região, “Zé Perri no Campeche” premiado no Festival de Gramado, como melhor documentário.



“Ele não era senão um barco perdido ao longe na calma do mar. Há, sem dúvida, Senhor, uma outra escala de onde esse pescador, lá naquele barco, me pareceria chama fervorosa ou nó colérico, puxando das águas o pão do amor por causa da mulher e dos filhos, ou o salário de fome. Ou então mostrar-se-ia a mim o mal de que padece e que o invade ou queima. Pequenez do homem? Onde vês pequenez? Não medes o homem com uma fita métrica. É, ao contrário, quando entro no barco, que tudo se torna imenso”.
(Saint-Exupéry in Cidadela-1948)


Pesquisas realizadas: Portal Sul da Ilha, Duetto Editorial e Anexo

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